MUDEI DE ENDEREÇO
“Que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais!”

Quando se é criança é tudo tão mais simples. Você só acorda preocupado em assistir a TV Colosso, depois aqueles filmes japoneses na Manchete e se delicia com seu café da manhã, com iogurtes, maçãs e farinha láctea.
Quando está perto de meio-dia você lembra: “Meu Deus, a escola?!”, mas é sábado e você ainda tem a tarde inteira pra brincar e ficar na companhia de uma televisão inocente, enquanto assiste Pica-Pau e como Cream Craker com suco de maracujá ou então Yakult.
Não pode deixar de fazer o dever de casa super complicado de matemática e o outro de inglês. Estudar para a prova de Estudos Sociais e de Religião. Só mais um segundinho enquanto passa os Goones e amanhã vai passar Os Trapalhões e o mágico de Oroz, ainda tem Chaves, Chapolin, Doug...
Quando se é criança é tudo tão mais fácil, os problemas são passageiros, apesar de parecer que nunca vão ser resolvidos. Papai e mamãe sempre sabem o que fazer e quando menos se espera já nos esquecemos do que aconteceu e estamos perdidos entre o próximo desenho ou a próxima brincadeira.
Não existem amores, se não os de amigos, fraternos, sem bobagens ou brigas, sem mentiras e falsidade, onde só a energia positiva povoa nossas mentes e não somos obrigados a saber demais sobre nada, somente o suficiente para sermos felizes. E ser feliz naquela fase não era complicado nem difícil, era só estar rindo de nada, brincando com tudo e fazendo de cada coisa uma nova descoberta, cheia de porquês.
Quando se é adulto se esquece de perguntar as coisas. Sempre devemos saber de tudo um pouco, quando na verdade esquecemos o que aprendemos quando crianças. Ganhamos liberdade, autonomia, podemos mandar em nós mesmos e em nossas vontades (?).
Tudo mentira. Não mandamos em nós e ainda somos subordinados de outra pessoa, se não, de várias. Nossos sentimentos nos enganam depois de velhos e nos vemos aos prantos por causa disso, em diversas vezes. Liberdade, autonomia... Nada mais que utopias que buscaremos por longos anos e talvez não as encontremos nunca.
Telencéfalograma

Por onde se pode medir a importância de alguém? Um ser humano íntegro é uma pessoa de valor, uma pessoa inteligente é um ser humano notável. De onde saíram esses conceitos?
Bem, não fui eu quem os criou, mas certamente já os ouvi da boca de muita gente. Jovens e idosos que compartilham dessas idéias e de tantas outras, um tanto quanto duvidosas. Sabe-se que a sociedade é constituída de ideais e ações sociais racionais que a fazem aceitável. Mas se somos nós, seres superiores aos outros seres vivos existentes nesse planeta, visto que possuímos o “telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor” – do documentário Ilha das Flores – porque esquecer dos sentimentos?
Os ilustres sentimentos que nos levam aos altos e baixos da “razão humana”. Movidos pela paixão ou pelo ódio, alimentados pelo amor ou machucados pela desilusão. Tudo isso para chegar a um ponto específico.
Nós vivemos numa sociedade tão hipócrita que não conseguimos enxergar o verdadeiro valor das coisas que nos rodeiam. Precisamos ser mais que o próximo e demonstrar, ou ao menos tentar demonstrar isso através de atitudes ridículas. Um exemplo disso tive ontem, ao assistir um dos meus programas favoritos, o Programa do Jô.
Mais uma vez chegou às mãos de Jô as famosas pérolas do ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio. Pois bem, como de costume, Jô usou de todo seu talento para interpretar as respostas absurdas dos estudantes de todo o país. Óbvio que como todo bom ser humano que está acima dessa realidade, simplesmente dei muitas risadas. Segundos depois parei e senti uma ponta de raiva daquele momento.
Pensei comigo mesmo: “estamos rindo de quê?” Essas respostas são dos estudantes, possivelmente, jovens estudantes do Brasil, o tal futuro do país, conhecem? Pois é. Talvez para Jô Soares e metade da burguesia presente naquela platéia e algumas centenas de telespectadores, como você e eu que estamos dentro de uma minoria que conseguiu dentro desse país, uma educação firme e de qualidade, que nos permite hoje, rir de uma situação deplorável como essa, isso seja realmente muito engraçado.
Aqui nesse mesmo blog já escrevi sobre o Jô e sobre outros programas, como o Se liga Bocão, da TV Aratu em Salvador. Percebi com essas analises sobre esses dois programas, aparentemente tão distintos entre si, que eles na verdade são bem parecidos. A única diferença é o público-alvo. Enquanto o Se liga Bocão é direcionado as classe C, D e E, desassistidos pela minoria burguesa da sociedade e ridicularizados por esse programa popularesco, o Programa do Jô direciona-se a essa minoria de bem nascidos, que usam de toda a capacidade de seus telencéfalos altamente desenvolvidos para rir dos desassistidos.
“Só a educação liberta”. (Epicteto)
“Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”. (Ilha das Flores)
Amor Moderno

Estava me questionando o que seria o amor, ou amar? Bem, muita gente já me deu vários motivos para acreditar e desacreditar nesse sentimento, mas eu prefiro pensar no amor como um momento, que nos deixa marcas boas ou ruins, mas que não somem mais. Feridas que deixam cicatrizes.
Nesse mundo conturbado e de sentimentos descartáveis no qual vivemos, só nos resta mesmo encarar um amor moderno e não mais o amor sonhador, repleto de ilusões, cor-de-rosa que povoava nossos corações e sim um sentimento racional até demais, onde fatores externos (bem externos) que nada tem a ver com o sentimental fazem do amor um belo jogo de interesses e prazeres.
Antes eu pensava saber o que é amar, hoje percebo que ainda não sei, estou tentando descobrir. Isso porque ainda faço desse sentimento um sonho, quando na verdade chegou a hora de modernizar minha forma de senti-lo. Vemos pessoas sedentas, olhamos olhos sedentos, tocamos corpos sedentos, sentimos, sentimos e sentimos... Sempre sedentos por mais e por novas sensações. Todo mundo hoje cansa de tudo! As novidades vêm muito rápidas e assim também se vão, então porque não mudar?
Acreditar que amor é construir futuro com alguém, envelhecer com alguém, ter filhos, dividir, compartilhar... Não, não. Na modernidade em que vivemos não há mais tempo, há pressa. Não tem pra quê dividir. Construímos em busca de nossos sonhos, nossos anseios e não os dos outros, ou pra dividi-los após anos de batalha pra conquistá-los sozinhos.
Que fique bem claro que não deixei de acreditar no verdadeiro amor, ou coisa do tipo. Apenas transformei (“as coisas não mudam, se transformam” (?)) meus pensamentos quanto ao assunto. Não é necessário que ninguém compartilhe dessa idéia comigo, mas refletir sobre, não faz mal. Eu mesmo refleti, e continuo refletindo, baseado em outras pessoas e relacionamentos. Afinal sou um ser humano e adquiro conhecimento através das experiências que vivo. Nada demais, né?!
Nada demais...

Hoje nenhuma novidade parece chamar minha atenção ou encher meus olhos. Nessa manhã tão cinza, onde alguns feixes de luz do sol conseguem atravessar as espessas nuvens carregadas, o sopro do vento fresco e o canto incessante dos pássaros, não me comovem.
Estou tão cheio de coisas na cabeça que mal posso esperar para deitar na cama e dormir profundamente, como se esse fosse meu último momento de cochilo e sossego, quando nada mais importa e tudo fica pra amanhã.
Essa sim é a palavra e meu tempo preferido, o amanhã! Tudo fica muito mais fácil para o dia seguinte, o que não quer dizer que fique mais simples de resolver. Só que o alivio momentâneo é como uma droga, você precisa às vezes, mesmo sabendo que o efeito vai passar.
Como nós somos irritantes. Precisamos resolver todos os problemas do mundo em 1 segundo e quando batemos muito na mesma tecla cansamos e passamos a vez, jogamos pro amanhã rebater e novamente estamos diante do problema sem solução de outrora.
Sonho nosso, acreditar que dormindo resolvemos algo. Porém devemos nos permitir sonhar. Sobre o sonho, muitos dizem que são reflexos de nós mesmos e de nossos anseios. Jamais sonhamos com mortos, amigos, bichos e coisas, são todas representações que o nosso cérebro cria, em imagens que já conhecemos ou não, para que não fiquemos loucos com as coisas reais que nos cercam diariamente.
O que seria de nós sem esses sonhos, os sonos e cochilos diários, sem o amanhã?! Uma frase muito famosa diz: “O amanhã a Deus pertence!”, mas já não é tudo que à Ele pertence? Pois bem, mas não custa nada ressaltar o amanhã, afinal até o Senhor sabe de sua importância, tanto que também descansou no 7º dia!
Todos os dias no programa Se liga Bocão, exibido pela Tv Aratu/SBT apresentado pelo jornalista Zé Eduardo, vemos um jornalismo pautado pela falta de ética e pelo abuso de temas polêmicos, abordados de forma sensacionalista e discriminatória.
Em seu programa o apresentador foge do jornalismo ético e fere gravemente regras estabelecidas pela Constituição e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Se liga Bocão tem uma versão radiofônica, na Transamérica, e assim como no rádio, o programa de Tv, aborda principalmente, o noticiário policial da cidade e questões relacionadas as camadas mais carentes de Salvador.
Em diversas situações, comentários e até na seleção de sua equipe, Zé Eduardo, mostrou-se pouco preocupado e interessado em fazer do seu telejornal, informativo e ético.
O principal repórter do programa, conhecido como Zé Bim, mostra a prisão de supostos criminosos até o momento em que estes entram nas celas. Tudo isso é uma arbitrariedade ao código de ética do jornalismo, que preza a integridade e privacidade da imagem do cidadão. Foge também do que é estabelecido pelos Direitos Humanos, que garantem a inocência de qualquer pessoa, até que está tenha a culpa comprovada em juízo.
Em outras ocasiões Zé Eduardo age com discriminação quando suas matérias tratam de gays, travestis e até mulheres. Mostrando mais uma vez um jornalismo preocupado com os índices de audiência, com sensacionalismo e com seus anunciantes, agindo contra um dos principais deveres do jornalista, que segundo o código de ética: não deve concordar com a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, políticos, religiosos, raciais, de sexo e de orientação sexual.
Como se não bastassem tais erros dentro de um telejornal que surpreendentemente só vem crescendo em audiência no horário, Se liga Bocão ainda adota não jornalistas, como o lutador Reginaldo Holyfield, para fazer enquetes de rua com temas chulos e ofensivos. Ridicularizando uma das principais técnicas usadas no telejornalismo.
Com todos esses exemplos fica claro o descomprometimento de alguns profissionais com o bom exercício da profissão de jornalistas, reflexo de um cenário nacional, onde interesses comerciais se sobrepõe á ética e aos direitos do cidadão.
Escrito por mim em 13/08/2002
A feira na moldura
Como em todas as manhãs de quarta-feira, minha avó me acorda para juntos irmos à feira. Pela primeira vez, depois de muita insistência, eu aceitei acompanhá-la.
Estava de férias, cansado e com muito sono. O sol mal brilhava e ela chegava com uma cesta na mão, querendo me convencer a ir com ela ver o “retrato do Brasil”, como costumava dizer que era aquela feira suja e cheia de gente.
Chegando lá fui alertado a prestar atenção por onde andava, para que não me perdesse no meio daquela multidão. Eu nem dei muita atenção àquela ordem e saí andando com a cesta na mão enquanto minha avó cheirava, escolhia e até experimentava várias frutas. De repente notei que a voz de minha vó sumira e me dei conta de que estava perdido.
Desesperado, me esbarrei numa caixa e perto dela vi um menino, que aparentava ter a minha idade. Primeiramente tive medo, mas depois ele me perguntou se estava perdido e eu respondi que sim. Quando perguntei a ele a mesma coisa, ele por sua vez, disse-me que trabalhava ali com seus pais. Fiquei triste e surpreso com a história dele, sem escola, casa, e às vezes, sem comida.
Imaginei como um menino da minha idade fazia tais coisas diariamente numa feira. Carregar caixas pesadas, atender pessoas preconceituosas como eu e dormir naquele lugar para sonhar e acordar para viver um pesadelo.
Foi naquela manha que abri os olhos, percebi a grande importância que a feira que tanto odiava tinha para aquele menino. Hoje em dia, volto lá e reencontro esse garoto, ainda no meio das caixas de frutas, com pessoas o ajudando e algumas o maltratando.
Vejo várias coisas na feira cada dia que lá estou. Descobri como é feio e sem cores esse tal “retrato do Brasil”, que tanto a minha avó se referia.
Rafael dos Anjos
O Bispo, a Lei Rouanet e os homossexuais...

Ontem estava assistindo o Programa do Jô e o seu primeiro entrevistado foi o Bispo da Igreja Universal e Senador pelo Estado do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella.
Bem, o principal motivo da presença do Senador/Bispo no programa, foi devido à alteração, proposta pelo mesmo, quanto a Lei Rouanet – Lei Federal de Incentivo a Cultura que foi concebida em 1991 com o objetivo de apoiar investimentos na área da Cultura em todo país.
Questionado incessantemente pelo apresentador Jô Soares, Crivella não parecia sustentar uma defesa concreta para sua intenção de acrescentar à lei, o termo, “templos religiosos” de forma que estes fossem contemplados por ela.
Jô mostrando-se contra essa proposta, ainda exibiu depoimentos de dois grandes nomes do teatro brasileiro, Juca de Oliveira e Bibi Ferreira, está que apenas resumiu sua indignação com uma frase “Isso é um absurdo!”.
Contudo, a entrevista não se ateve apenas a questionamentos quanto a Lei Rouanet, mas passeou entre umas e outras alfinetadas do apresentador, quanto à vida religiosa do bispo e seu parentesco com nomes fortes do mundo evangélico como o Bispo Edir Macedo, presidente da Igreja Universal do Reino de Deus, e o Bispo R R Soares Presidente da Igreja Internacional da Graça de Deus.
Foi pauta desta entrevista também mais um tema polêmico, a lei contra a homofobia que circula atualmente no Congresso. Para Marcelo Crivella a lei é simplesmente inaceitável, segundo o Senador/Bispo isso impedirá qualquer manifestação contra os gays e complicaria ações contra funcionários homossexuais dentro de uma empresa e até pregações religiosas, visto que qualquer manifestação contra os gays seria considerada crime de homofobia.
Jô ainda questionou Crivella, enquanto bispo da Igreja Universal, se ele considerava a homossexualidade uma doença ou um pecado? Novamente o Bispo, como bom político, fugiu pela tangente e deu respostas vagas.
No Brasil, qualquer tipo de descriminação por cor, crença ou sexo é considerada um crime e a Constituição de 1988 já garante isso, porém existem leis de apoio restrito a negros, mulheres, crianças e adolescentes, logo, porque negar isso aos homossexuais? Nenhuma dessas leis e estatutos impediram que as coisas caminhassem bem em empresas, famílias e na sociedade como um todo, então porque o medo do Senador? Ou seria do Bispo?
Provavelmente os líderes evangélicos de modo geral pretendem tirar seu pedaço da Lei Rouanet, apesar do Senador tentar esclarecer que se refere a templos tombados pelo patrimônio histórico e cultural, no caso, de maioria católica – lembrando que Igrejas católicas históricas, já são consideradas centros culturais e parte da história do Brasil, pela Lei Rouanet.
No quesito, Lei Anti-homofobia, o Bispo Crivella, quer dar um passo para trás e ajudar a permear essa hipocrisia nacional que admite crianças arrastadas em plena às ruas do Rio de Janeiro – Estado onde ele, Marcelo Crivella foi eleito – que pacientes morrem nos corredores de hospitais públicos, onde os médicos escolhem quem deve ser atendido, em detrimento a vida de outros pacientes, pois não tem condições de atender a todos, onde fingimos que não há preconceito e alguns tentam burlar a oportunidade de uma classe, que luta pelos seus direitos, de poder apenas mostrar sua cara.
Um dia você acorda um pouco desolado com o resto do mundo, as pessoas não são mais as mesmas de antes, aqueles amigos que você fez, mudaram com o tempo e hoje em dia sua habilidade para fazer novas amizades não é mais tão eficaz.
É hora de voltar as raízes? Era assim que estava me sentindo essa semana. Porque? Isso é o menos importante, afinal quando nos sentimos assim, o motivo exato é o que realmente nunca sabemos explicar.
Bem, pensei então que era hora de fazer novos amigos, contatos. Talvez precise de um amor para minha vida. Ok! Quem sabe essa falta não seja o real motivo? Não adiantou nada, perdi definitivamente minhas habilidades em fazer contatos de qualquer espécie.
Meu Deus, o que será de mim? Todos reencontram suas raízes, menos eu. Todos sabem quando, como e a quem recorrer, menos eu. Será?
Ao menos é o que parece quando olho em volta e vejo todos em seus guetos, juntos aos seus, os amando e respeitando apesar de qualquer coisa. Contudo quando estou quieto no meu canto ouço sempre uma voz me chamar e contar coisas como essas, do tipo: perdi o tato com as pessoas, estou abandonado, preciso me apaixonar e etc e tal!
Não é que eu sempre sei o que dizer, até ajudo e tudo se resolve. Será que chegou a minha vez de re-visitar os meus, de estar novamente no meio onde já estive antes, na época iluminada de quando sabia fazer amigos?
A sensação de estar perdido de alguma forma é deprimente! Me sinto assim nesse momento, você recebe torpedos de lados inesperados e parece que voltar as raízes é a última e única alternativa a se seguir.
O problema é quando você se esquece também de onde plantou essa árvore, como ela era e se saberá o caminho de volta.
De hoje para amanhã muita coisa pode mudar. Ou eu não encontrarei o caminho até lá, ou ficarei estático esperando tudo mudar novamente ao meu redor, ou encontrarei minhas raízes tão procuradas.
Resta saber qual desses caminhos me levará adiante como ser humano. Quem sabe voltar atrás um pouco e ensaiar mais vezes um primeiro passo não seja um bom começo?!
Rafael dos Anjos
Olá a todos,
Durante esses meses que estive de férias da Faculdade muita coisa aconteceu na minha vida e pelo visto por aqui também…
Por isso estou escrevendo para dizer que estou surpreso com o fato do meu blog ter estado em algum momento no TOP 10 da UOL e por pessoas fora do meu círculo de amigos terem comentado e elogiado o meu trabalho.
Muito obrigado a todos!
Espero que continuem comentando, lendo, opinando… É muito importante essa participação de outras pessoas que não me conhecem, mas conseguem me entender assim mesmo através do que escrevo aqui.
Bem, vou voltar a atualizar o blog e como ponto de partida estão aí dois textos novos:
“Carta de Amor” eu escrevi em meio a fragmentos de frases que já quis dizer a pessoas diferentes na minha vida (amigos, amores, familiares etc), muitas músicas que marcaram momentos íntimos meus também me inspiraram a escrever esse texto.
“Coisas” muito pessoal, um texto simples que fiz, mas que nesse momento em especial fala muito do que estou vivendo, algo que certamente vai me fazer escrever muito por esses meses… Um texto simples, mas importante!
Fico por aqui. Por enquanto pelo menos…
Valeu!
Rafael dos Anjos
Coisas

São coisas pequenas e simples na vida que podem fazer toda a diferença.
Essa é uma afirmação que qualquer mortal, por mais novo, imaturo ou ignorante que seja, pode fazer sem medo de errar.
Hoje estava eu com uma das minhas pequenas coisas, uma cápsula de um rémedio, à dias não o tomava e quando me dei conta disso estava desesperado, com o efeito nocivo que essa “ausência” me causou.
Por mais ciente de que poderia muito bem passar sem essa medicação, minha ilusão foi mais forte e venceu a razão.
Em vários momentos da vida estamos nos deparando com pequenas coisas, passageiras e sem importância que nos tomam horas, dias, nos roubam a paz, a tranquilidade ou nos dão tudo isso de volta e até em dobro.
Coisas que muitas vezes nos iludem e nos tiram a razão – não que isso seja 100% ruim nem 100% bom.
Quando ouvimos uma música antiga no rádio, ganhamos ou perdemos o dia! Uma coisa tão rápida, simples, que tem o poder de nos tirar do chão. Ver alguém do passado no Carnaval, em meio aquela multidão – você quer falar com ela e não consegue, ou não quer, mas ela te vê e sorri – seu dia acaba de ser modificado pelo leve toque do destino.
Como as coisas são mutáveis e inconstantes, não seguem regras e se alimentam de transformações no dia, do clima, de nós, da nossa vida, do mundo á nossa volta.
Um dia de chuva e um filme. O filme e uma pipoca, um cobertor e cama! O sol e uma ligação, um convite para a praia. Uma lua e um jantar…e cama!
Um medo e muitas dúvidas. Uma certeza e um obstáculo.
Coisas simples, pequenas e passageiras. Sempre pensamos que nada muda quando na verdade algo novo vem e transforma tudo.
Nesse momento em especial, estou em meio ao medo e tenho tantas dúvidas que minha cabeça está fervendo. Há uma pequena coisa que mexe comigo agora, mas são as coisas simples do dia-dia que estão me mantendo sob controle, ainda.
Na verdade não devemos viver o pequeno e o simples para vivermos bem, somos obrigados a sobreviver com essas duas coisas, tão próximas e mesmo assim completamente diferentes umas das outras.
O que importa é tentar ser feliz, apesar de todas as coisas.
Rafael dos Anjos
CARTA DE AMOR
Salvador, 10 de fevereiro de 2007
Oi, meu amor!
Desde a nossa última briga minhas manhãs não são mais as mesmas, onde o sol ofuscava meus olhos e aquecia meu coração. Hoje acordei e senti tanto frio. Isso porque você não me ligou, como em todos os dias, para dizer: “eu te amo”.
Ah, meu bem! As nuvens estão tão cinzas hoje e você depois de transformar todo o meu dia em noite não quer me perdoar. Pense por um momento minha vida sem você… Seria uma eterna escuridão.
Preciso de sua alegria, sua força para me fazer tão forte quanto você. Da sua luz, como a daquele sol que um dia me aqueceu. Quero a sua positividade me levando alto e sua liberdade para fazer de mim livre!
Eu errei! Assumo. Meu erro não foi te amar demais, esse é um pecado que cometerei a cada dia, mais e mais depois que olhar nos teus olhos, como quando acordávamos juntos e trocavámos juras de amor.
Os homens me julgaram muitas vezes e a vida me castigou por diversos erros. Contudo em algum momento Deus tocou minha vida e os céus me trouxeram você, amor!
Você pensa que perfeição não existe, mas eu acredito nela porque à encontro em você todas as vezes que sua traquilidade me conforta, seus braços me protegem e seu beijo me enfeitiça. Quando não só sua companhia me completa, mas o seu amor me preenche.
Me perdoe por favor!!!
Te amo demais e não consigo conter todo esse sentimento dentro de mim. Quero que você saiba que viverei sem você uma vida sem graça, um jardim sem flores, uma noite sem estrelas…
Preciso fazer da sua existência especial por que você merece, do seu dia – dia eternos feriados de sol e do seu coração só meu!
Amo você e sempre te amarei esteja você onde estiver…
Rafael dos Anjos
Ontem eu quebrei um copo de cristal, ele caiu e partiu em milhares de pedacinhos bem pequenos. Ficou tão dificil juntá-los novamente… será que se eu colar um caco no outro vai segurar a água dentro dele?!
Sentimentos – II
Os nossos setimentos nos movem e nos levam tão longe. Em lugares inimagináveis, onde nunca pensamos estar e assim que tocamos o chão depois dessa viagem, estamos tão cansados que caimos…
Porque eu me descontrolei quando na verdade queria ter falado baixinho que “te amo”?
Não quero seu amor, eu sei que não! Quero você! Era para te dizer isso ontem, antes do copo cair das minhas mãos…
Hoje não tem mais jeito. Destrui a nossa chance única de você me amar e eu te ter como sempre quis! Me perdoa?!
Quanto tempo depois vamos voltar a nos encontrar? São tantas as perguntas não é meu amor? Opps!!! Fiz outra! Êpa, eu não te amo…
O que importa nossos sentimentos! Vamos viver esses dias que nos restam, juntos.
Se eu soubesse dizer “eu te amo” te abraçaria forte e não deixaria você ir. Se eu te odiasse, mataria você agora. Se soubesse o que sinto, pularia do prédio mais alto que encontrasse.
Sabe porque meu amor, meu amigo, minha vida, meu grande inimigo? Porque simplesmente te conheço, mas não sei quem sou! Te vejo todos os dias e não me encontro! Falo de você e os outros falam de mim. Me escondem segredos, que são meus, falam das mentiras e verdades que estão na última página da minha agenda…
Quando você quiser me ver, grite! Quando quiser me ouvir, obra bem os olhos e eu mostrarei tudo que sinto!!! Graças a Deus ainda não sei o que sinto, mas meu corpo mostra-se nu para você…
Ele sabe que só você me entende…

Intro
Muitas coisas são tão necessarias nessa vida!
Quando se quer fazer um bolo, precisamos de ovos, farinha, leite. Quando queremos um suco precisamos da fruta, hoje me dia um kisuco já¡ resolve, mas ao menos água temos de ter.
Isso quer dizer que para todas as coisas, não existe Mastercard, precisamos é de outras coisas complementares, que façam os nossos desejos, anseios, realizações, terem significado, valor, importância.
E nessa data e horas exatas: 02/11/2006 às 13:49hs estou na minha metamorfose constante, que já fez de mim larva, lagarta e borboleta inúmeras vezes!

Um longo caminho
Acabo de me ver caminhando só por um longo caminho, onde as coisas todas perdem o sentido, quando são feitas por uma única pessoa.
Essa estrada tortuosa pode ser o melhor caminho que você já percorreu em sua vida, mas pode também trazer surpresas desagradáveis que você jamais esquecerá.
Bem, quando fui sair de casa minha mãe me alertou quanto a essas surpresas, mas como o filho rebelde que sou eu fui com toda a minha determinação.
Logo nas primeiras curvas encontrei uma fada, ela tinha longos cabelos pretos - confesse que você esperava ler loiros - pois eram negros mesmo! Ela me apresentou uma anjinha de pele negra, muito meiga e ingênua - confesso que a corrompi um pouquinho! Depois dessas belas criaturas de Deus no meu caminho me deparei com um ladrão, ele roubou minha tranquilidade, minha paz, minha alma e sumiu!!!
Quantas foram as lágrimas que derramei... Muitas, incontáveis vezes. Não sei se vocês sabem, mas dói demais quando lhe tiram sua alma do seu corpo e a levam consigo!
Fiquei tão fraco que tive de acampar numa ruela bem legal, onde a fada e a anjinha cuidaram de mim, sabia que em algum momento teria de cuidar de uma delas também e esse momento chegou!!!
Minha anjinha descobriu o amor e sofreu tanto, levaram o coraçãozinho dela sem pedir permissão. Se eu pudesse teria segurado comigo e não deixaria ele levar, mas não pude. Ela não sofreu sozinha, eu sofri junto, porque cada lágrima sua era minha também, sabia bem como era sentir o que ela sentia.
Meses depois minha fada teve de ir para uma terra distante e sumiu como um sonho quando acordamos, daqueles que são nos deixam saudades e boas recordações. Com isso as bruxas ficaram soltas e um feitiço nos separou de tal forma que nossas vidas correram mais depressa do que podiamos acompanhar com nossas pernas.
Tanto tempo depois e já não sei se recuperei mesmo minha alma, mas minha anjinha se recuperou e um mortal simples, a faz feliz agora, minha fadinha voltou, junto com ela um cristal precioso que a proteje do mal.
Eu continuei andando, elas sempre por perto e a energia que emanam de seus corações me alivia, me alegra, me preenche.
Os anos se passaram mais e mais e eu conheci novas criaturas nesse caminho!
Não me dei conta a principio, mas vi dois senhores sentado num banco. Quem se importa com dois velhos? Eu também não me importei e segui.
Conheci uma criança muito solitária, ofereci meu colo e ela aceitou, caminhou comigo e eu a defendi dos perigos, um carinho que surgiu tão naturalmente que não soube controlar. Fiquei uns 4 anos num bosque e conheci uma outra anjinha negra - no céu certamente não há preconceitos - Rs!!!
Essa menos inocente e muito mais esperta, adorei ela também! Olha só quem mora nesse bosque: os velhos! Argh!!! Que saco!!! Eu pensei.
A criança que acolhi, cresceu e mudou completamente, me decepcionou, mas quando amamos perdoamos e eu a perdoei muitas e muitas vezes. Ela se foi!
Fiquei muito triste e novos amigos me salvaram. A anjinha é claro me encorajou, minha fadinha me fez rir e minha primeira anjinha acalmou meu coração partido.
Contudo algo inesperado aconteceu, foi quando os velhinhos me aconselharam. Numa realidade tão incomum quanto um conto-de-fadas, jamais imaginaria que dois personagens tão reais pudessem mudar minha forma de pensar, agir e ver, não só o mundo, mas a vida.
Ainda não cheguei no fim da estrada, sei que levará muito tempo. Meu pai me disse que quando ela acaba, estamos cansados demais para voltar para casa e quando enfim aprendemos alguma coisa, talvez seja muito tarde para colocá-la em prática.
É uma pena, porque sempre que penso ter aprendido algo, vem uma coisa nova e muda tudo. A criancinha que amei já está muito longe de mim, resgatei a paz, a tranquilidade, mas a alma ainda é do ladrão.
Contudo minhas anjinhas, minha fadinha, e os velhinhos mais sabios que já conheci continuam comigo, um apoio incondicional que quem sabe me faça ter força para voltar para casa e contar tudo que passei aos meus pais!
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